-um e dois;

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O fim; Bem antes de que podia prever, tão sério e desajeitado. O fim chegou. Mas prefiro lhe falar sobre o início, prefiro dizer que o início foi tão cheio de um forte sentimento de felicidade; uma leveza incontida. Indefinida. Prefiro dizer que foi de propósito, mas talvez tenha sido acidental. Talvez tenhamos na precipitação a felicidade, de tudo o que vimos e sentimos; o óbvio pareceu tão novo e incerto, resolvemos arriscar. Inconscientemente fizemos as piores escolhas nas melhores ocasiões. Somos opostos, já sabia. Mas acreditei que isto completaria meus pequenos vazios, e o grande absurdo é: que nunca me completei. Reconheço que minhas expectativas são nulas; uma sensação de dormência toma conta. Chegamos ao fim, e nada sinto. Quanto tempo temos até tudo voltar ao normal? Sinto um vento gelado que acalma, mas já estou tão calmo que nem vale a pena dizer o quanto estou triste - apesar de calmo. Estou alegre, apesar do desapontamento. Vivo de dentro pra fora, do passado para o presente e do que se foi para o que virá. Sou todo desespero e rebeldia, silenciosa rebeldia. Vamos ser nós mesmos? Vamos deixar aquela velha mancha aparecer entre os quadros novos, figuras de flores, a parede fria e a janela molhada. A chuva vem nos piores momentos, acompanhada de uma profunda reflexão do que normalmente escondemos por entre as cortinas. Sou todo reflexão, embora a dormência dos pensamentos torne as lembranças curtas e macias. Sou desajustado nas cores, prefiro sempre o monocromático, prefiro os contrastes que dizem muito mais do que os coloridos. Os coloridos são previsíveis e hipócritas, os contrastes são tão sinceros naquilo que devem ser. Somo os dois um só contraste, de lâminas e socos dados ao acaso. Somos uma foto antiga, retrato conhecido, do que começa bem e termina lentamente.

Somos dor.
Somos calma.
Somos lágrima e riso. E chegamos ao fim;

1 Comentários:

Anônimo disse...
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